Luzes de natal.
Em todas as janelas luzes de natal. É novembro e tem luzes de natal. Dentro da minha cabeça ainda é julho e tem luzes de natal, dentro da minha cabeça tem luzes.
Que não são de natal.
Na minha cidade natal tem luzes, na do meu pai também. Na cidade que eu morava quando eu não morei em lugar nenhum também deve haver luzes. Lá os internos fazem lustres de papel machê e penduram no teto. Não se pode caminhar dois metros sem bater a cabeça em um desses malditos lustres. Mas são coloridos, formam um mosaico bonito, então eu até gosto deles, das cores e das luzes dentro do papel, das luzes quando o papel queima. Queima antes do natal.
E então se apagam. E fica tudo escuro. Que são luzes tão coloridas e tão bonitas que as pessoas hesitam antes de ligar as velhas luzes fluorescentes de antes. A claridade pálida incomoda aos olhos, faz tudo parecer um único hospital, e as pessoas ficam tristes e deprimidas fora da cabeça delas. Então elas se jogam pra dentro, onde ainda tudo brilha em tons verde, amarelo e dourado, onde as imagens são reais e as pessoas voam. Onde os presentes se acumulam. Dentro da cabeça delas é natal o ano todo, não qualquer natal, mas uma data perdida no tempo, muito tempo atrás, correndo de meias pela casa.



